Saturday, March 17, 2012

Os mortos contam historias

Estou lendo um livro escrito por um antropologo forense americano chamado William R. Maples. O titulo do livro e' "Dead Men Do Tell Tales", mais ou menos traduzido como "Os mortos realmente contam historias". Vamos discutir esse livro assim que voltarmos `a nossa aula de ingles na faculdade. Esse livro tem me proporcionado emocoes variadas, e de uma forma mudado minha perspectiva sobre a vida... e tambem a morte.
Sendo um livro nao ficticio, trata-se de uma narrativa baseada em fatos reais, experiencias de um renomado antropologo forense, Dr. William Maples, em seu trabalho e, digamos, arte de estudar ossadas humanas e tentar descobrir a causa mortis. O livro comeca narrando os primordios da origem do autor, do interesse despertado por essa ciencia, e varias experiencias em lugares variados, entre eles o Quenia. O autor passou diversos anos no Quenia estudando os babuinos, e relata acontecimentos engracados e curiosos desse lugar. Apos alguns anos de experiencia, ele decide voltar para os EUA e retomar seus estudos na area da antropologia forense e conseguir um espaco na universidade como professor e tambem pesquisador.
Esse livro nao e' para qualquer um. Digo isso porque o autor nao mede esforcos em descrever com detalhes minuciosos certas situacoes e condicoes em que se encontram os mortos. Cada capitulo trata de um aspecto diferente sobre a morte, e realmente nao recomendo para os mais fracos de coracao (e estomago). Tendo estudado muitos anos de ingles e literatura, o autor manipula a lingua com tamanha destreza e realismo que o leitor se sente parte de cada situacao narrada. Lembro-me que nossa professora de ingles avisou: nao leiam esse livro enquanto comem ou apos comer. Ela estava certa.
Cada um esta' responsavel por ler e apresentar um capitulo do livro. Eu escolhi o capitulo sobre suicidio, porque achei mais "suave". Isso nao e' piada, e' serio. Os outros capitulos sao muito piores em termos de peculiaridades, descricoes minuciosas do estado em que os cadaveres se encontram, portanto achei menos chocante esse capitulo sobre suicidio. Os outros capitulos tratam de assassinato, violencia/abuso de criancas, desmembramentos, e outras coisas nao menos desagradaveis. No entanto, decidi ler o livro inteiro, e nao so' o meu capitulo, porque eu quero ter uma ideia geral do livro. Quem esta' na chuva e' para se molhar.
Pretendo terminar a leitura do livro hoje. Creio que me faltam umas 70 paginas. Sendo um livro denso e bastante chocante, por vezes tive que parar para espairecer, respirar fundo e seguir adiante. Eu nao gosto do assunto morte, e confesso: tenho hojeriza a ela. Eu me sinto muito tocada com cada vitima que o autor relata, o estado em que se encontra, e fico pensando se essas pessoas sofreram muito antes de morrer, ou se deixaram familiares ou amigos queridos sofrendo com sua morte. Ou quica' ninguem sofreu, nem tomou conhecimento dessa pobre alma.
Como falei no inicio desse texto, o autor se concentra no estudo das ossadas humanas. Ele relata casos que nunca haviam sido solucionados, por falta da tecnologia e da existencia da propria ciencia da antrolopologia forense muitos anos atras. Antigamente nao existia esse ramo cientifico, e os instrumentos eram precarios. Os anatomistas estudavam os cadaveres e ossos, mas com bastante limitacao devido `a essa falta de tecnologia. Hoje em dia pode-se descobrir a causa, a data, o jeito, o motivo e muitas outras coisas atraves da analise de pedacinhos minusculos de ossos. Alguns dos casos relatados no livro eram praticamente impossiveis de se solucionar, porem o Dr. Maples conseguiu descobrir todos os detalhes a respeito. Impressionante como a ciencia tem evoluido, para o bem de nossa sociedade.
`A medida que vou avancando em minha leitura, vou aprendendo a engolir a humanidade e suas crueldades um pouco mais. Nao aceito qualquer tipo de maldade, mas vou me "desensibilizando" um pouco das situacoes chocantes. Vou aprendendo a dar valor `a vida, o respeito ao proximo, e sobretudo apreciando o valor que cada um de nos tem nesse mundo. Fico com pena daqueles que sofrem mortes violentas, absurdas, e que somem do mapa, e de suas familias que ficam sem resposta e sem uma conclusao dessa cruel situacao.
Agora conheco um pouco mais sobre essa especialidade da antropologia forense. Nao sabia que tantas coisas ficam "gravadas" nos ossos. As pessoas `as vezes pensam que algo nunca sera' descoberto, mas os ossos contam marcas que nao enganam. Os tecidos, musculos, orgaos se desfazem com o tempo, mas os ossos demoram centenas de anos para se decomporem. Eles realmente contam historias de seus mortos. E como contam.

Monday, March 12, 2012

Levanta e sacode a poeira

Ouvi um comentario outro dia de que toda mulher sempre quer perder peso. Meio, um, dois, tres e 1/4, 4.9999 quilinhos. Quem e' mulher e nunca entrou nessa neurose?
Pois. Estou nessa neurose ha' alguns anos. So' que meu caso e' bem mais grave do que se imagina. Preciso perder 30kg. Nao e' por vaidade, mas por necessidade de saude mesmo. De acordo com a classificacao medica, estou obesa morbida. Isso soa mais como uma sentenca de morte. E olha que nao sou re' primaria. Decisao unanime pelos jurados. Oh dia, oh ceus.
Sou comedora compulsiva. Supostamente, eu ja' deveria ter atingido pelo menos metade da minha meta neste momento. Em agosto comecei nos Vigilantes do Peso. Cheguei a frequentar algumas reunioes. So' que meu dinheiro encurtou, e tive de seguir o plano online. Tudo maravilhoso nas primeiras semanas. Cheguei a perder 8 kg. Meus joelhos melhoraram 70% na escala de dor. Dormia bem melhor, acordava renovada, sonhava com poneis rosas e flores campestres. Diante desse progresso, o que aconteceu?
O que aconteceu foi que eu parei de contar os pontos no site dos Vigilantes. Parte do motivo foi preguica, admito. E tambem outra parte falta de tempo. E outra parte, por putice com a vida.
Ficava vendo outras pessoas indo comer sem ter que contar ponto, sem ficar com muita restricao, pessoas magras, sorridentes, de bem com a vida. Por que eles podem e eu nao?
Muito bem. Um pouco de altivez de minha parte, eu diria. Um pouco nao, bastante. Totalmente. Achando que macaco pode se controlar diante de um cacho reluzente de banana. Ledo engano. Escorreguei na minha propria casca de banana e dei com a buzanfa no chao.
Na fartura e na bastanca encontro-me aqui na estaca (quase) zero. Quase com o mesmo peso que comecei nos Vigilantes. Imaginou a infinidade de palavroes chulos que passam pela minha cabeca nesse momento? Fica a criterio da imaginacao de voces. No entanto, tenho mais vergonha do meu relaxamento com minha dieta do que desses palavroes que permeiam a minha mente nada sagrada ou magra.
Domingo que passou foi o dia. Reality check bonito. Tive que me chamar na chincha. Nao estava dando mais conta da minha propria rebeldia. Rostinho colado com a realidade, ali, olho no olho, subindo na balanca. Abrindo os olhinhos e me deparando com os numeros aterrorizantes. Parabens pelo resultado. Ai jizuix, que fazer diante desse suplicio?
Primeiro lugar, voltei a abrir o site dos Vigilantes. Que vexame: tinha ate' esquecido o meu nome de usuario e senha. Que desleixe. Tiro certeiro no meu proprio pe'. Nos dois, alias. E, vou lhes contar, que mira. Enfim, vamos adiante, coragem. Resolvi apagar a tabela do peso ate' entao, porque nao ia me adiantar nada ver que tinha engordado exponencialmente nesses ultimos meses catacumbicos. Fiquei com vergonha, nao dos outros que me veem, mas de mim. Meu Deus, onde fui parar? Fiz que nem o Zeca Pagodinho... deixei a vida me levar. Fui `a deriva bonito.
Mas como todo poco tem um fim, cheguei finalmente nele mas ja' estou subindo de volta `a tona. Nao e' facil, minha gente. E' muuuuito dificil, muito mesmo. Depois de ter me reacostumado a comer desenfreadamente todo tipo de besteira, e' muito dificil domar esse animal rosnante dentro de mim, especialmente nas loucas horas da madrugada, ou no meio da tarde. Putz, que fome do caramba. Larica da boa. Mesmo.
O cerebro e' uma criatura pidona. Mimada que so'. Ele e' bem traira tambem. Ele te diz que e' fome, mas na verdade e' sede. Ou cansaco. Ou mau humor. Ou desamor. Ou... qualquer outro sentimento que ele queira te dizer. Voce e' mais malandro que ele, e voce tem o poder de dizer: nao.
Eu quero ter esse poder de volta. Eu quero retomar controle da minha neurose com comida. Comer compulsivamente e' uma doenca, que nem o alcoolismo, o cigarro, drogas... comer compulsivamente desequilibra todo o sistema cerebral, a acao de hormonios, neurotransmissores, etc. E' uma luta, no sentido mais literal da palavra.
Sabe, fico pensando no meu progresso daquela epoca, em aureos tempos em que eu estava levando a serio meu emagrecimento. Depois de umas semanas, ja' estava me acostumando a comer menos. Porque nos Vigilantes voce nao se priva de nada, mas voce aprende a domar a fera ferida, a vontade de comer a comida e o prato com talher tudo junto. O controle das porcoes. Eureka.
Eu tenho uma crianca muito mimada dentro de mim, sabe. Ela nao pode ter tudo o que quer na hora que quer. E' esse o grande desafio pra mim. Sempre sera' um quesito na minha vida que exigira' constante vigilancia. Ad aeternum.
Portanto, voltei `as minhas atividades fisicas religiosamente. Nos dias que nao posso ir `a academia eu faco esteira em casa. E passeio com os cachorros. Qualquer atividade e' lucro. Mas a atividade fisica pra mim nao e' um grande desafio, porque eu ja' fui atleta muitos anos... em natacao. Atividade fisica me da' barato bom. E me distrai da cozinha. E' um atalho para minha saude.
Outro negocio e' entender que fazer muito exercicio nao justifica comer demais. O figado converte o excesso de carboidrato em tecido adiposo porque nao tem o que fazer com tanto acucar no corpo. E as gorduras se acumulam em forma de triglicerides, que em altos niveis nao fazem nada bem para a saude arterial e coronariana. Caraca, e quando bate aquele medo de ficar diabetica?
Minha gente: e' tempo de agir. Decidi agir em prol de moi-zita aqui. So' eu posso sair do fundo desse poco. Com minhas proprias forcas e muito afinco.
E' essa a minha mensagem para o dia de hoje. Se voce tambem esta' nessa longa e ardua jornada de perda de peso ou qualquer outra que exija toda a sua paciencia e dedicacao, escreva para mim. Conte-me sua experiencia, seus tropecos, quedas, tiros no pe', mas tambem suas conquistas.
A hora e' agora. Vamos mudar o que nos segura pra tras e o que nos impede de andar adiante na saude, fisica, emocional e espiritual. A batalha e' ardua mas vale a pena. Levanta e sacode a poeira, e vamos juntos nessa jornada!

Sunday, January 29, 2012

De porto seguro em porto seguro

Ontem eu estava olhando fotos antigas da minha familia, dos meus pais, avos, tios, etc. Meu ja' falecido avo materno era uma pessoa muito especial. Ele veio de Portugal ao Brasil aos nove anos, com a familia, num navio... era analfabeto e aprendeu a ler e escrever praticamente sozinho. Ele tinha uma inteligencia fora do normal, e um coracao de ouro. Aprendeu a arte da mecanica, abriu uma oficina mecanica. Era eximio soldador e mecanico, procurado por muitas pessoas pela qualidade do trabalho que ele fazia, e tambem a maneira como tratava as pessoas. Ele ajudou muita gente, muita mesmo. Me lembro que ele andava com um bolao de dinheiro no bolso do macacao sujo de graxa, e ele dava dinheiro pra varias pessoas. Ele tinha uma carapaca grossa, mas por dentro era uma manteiga derretida. Tambem tinha muito amor pelas plantas e os animais. Acho que herdei isso dele. rs.
Quero chegar no ponto do porto seguro. Meu avo era a figura incentivadora da minha infancia. Eu fazia parte de uma equipe de natacao, e participava de competicoes e campeonatos regularmente. Meu avo era figura garantida em TODAS as minhas competicoes. Claro, meu pai tambem ia, mas meu avo se acabava na torcida. De dentro da agua, eu escutava aquele vozeirao dele: VAAAAAAAI, VAAAAAAAI. rs. E depois que eu acabava, ele me dava um abraco apertado, mesmo que eu tivesse chegado em ultimo lugar. Ele tinha muito orgulho de mim. Meu avo era fora de serie. Tenho muitas saudades dele.
Depois quando entrei pra faculdade, ele continuava a dar essa forca. Ele tinha orgulho nao so' de mim, mas da minha falecida avo', dos tres filhos, e dos outros tres netos. Meu avo tinha orgulho do meu irmao, que nasceu com paralisia cerebral. Um dos poucos a realmente tratar meu irmao com amor e carinho, sem restricoes.
Eu o vi pela ultima vez em 2001 quando eu vim morar aqui. Ele faleceu em 2004. Mas eu lembro dele claramente. A intensidade do abraco dele, a textura aspera de suas maos, o tom de voz meio rispido. E carrego comigo esse sentimento de porto seguro durante todo o tempo que convivi com ele.
Hoje em dia tenho outros portos seguros. Meus pais sao meu principal porto seguro. E tambem outros valiosos amigos que nao me deixam desistir dessa jornada.
Eu espero retribuir essa forca para as outras pessoas, num constante fluxo de energia positiva. Talvez nao calculemos o impacto que fazemos na vida do outro ao tocar seu coracao e dar esse ultimo empurraozinho para a pessoa perdurar na sua estrada.
Seja o porto seguro de outra pessoa tambem. O mundo pode ser muito melhor desse jeito. De porto seguro em porto seguro.

Saturday, January 21, 2012

Isto aqui o que e'?

"Isso aqui o oooo.... e' um pouquinho de Brasil ia' ia'" Essa musica do Caetano Veloso esta' na minha cabeca sem dar um descanso desde ontem... gracas `a minha apresentacao sobre Brasil no Circulo Internacional!
Apesar nao ter ido muita gente, acredito que consegui agradar a gregos e troianos. As pessoas que foram se deleitaram ao conhecer mais um pouquinho do Brasil. Tentei ser justa e falar, por vezes, de uma perspectiva impessoal ( por mais que isso seja muito dificil, sendo eu brasileira), porque nao gosto de defender o Brasil mas tambem nao quero so' mostrar os podres. Justica seja feita.
Antes de comecar, dei um questionario de 10 perguntas sobre o que as pessoas sabiam sobre o Brasil. Coloquei perguntas do tipo: Qual a moeda do Brasil? Qual a lingua oficial? Qual a capital? Quem acertou mais ganhou duas entradas para o cinema, e a sortuda ontem foi a Anna, minha ex-professora de algebra. Houve uma outra contemplada com dois ingressos apos um sorteio, e essa menina e' nigeriana e foi a primeira vez que ela foi num evento nosso e pediu para se integrar ao clube.
No inicio mostrei um video curto sobre o Brasil, com as diversas regioes e diferencas culturais dos estados. Depois mostrei meu power point bem colorido, falando da historia, geografia, economia, politica, cultura, artes, esportes e culinaria. Fiz tudo bem colorido e com bastante fotos para ilustrar bem o que temos de melhor. Claro, tive de falar das favelas e da violencia, da corrupcao e da impunidade, mas resolvi dar uma pincelada nisso. Nao quero que as pessoas cheguem no Rio e depois venham reclamar comigo que eu nao avisei dos perigos. So' que nao da' so' para concentrar nos aspectos ruins. E eu sou uma pessoa otimista, e continuo acreditando que nos podemos fazer um Brasil melhor. Cabe a nos!
Para finalizar, falei um pouquinho do Rio, e depois mostrei um video de capoeira. Alguns adolescentes na plateia estavam nos seus ipads procurando o mesmo video para mostrar para outras pessoas depois. Pelo jeito gostaram. Pena que ninguem quis servir de cobaia para uma demonstracao de capoeira (eu ia fingir que estava tocando berimbau... pe be beeein... pe be beeein...).
Levei brigadeiros pretos e brancos, e todos fizeram sucesso. Alguns preferiram o preto, outros o branco. A coordenadora levou os paes de queijo, biscoitinhos, bombons, Guarana' e sucos de caju e goiaba. Acho que agradou a todos os gostos.
Tambem coloquei uma mesa na frente da sala com varios objetos pessoais brasileiros meus: algumas pinturas, jornais, livros, revistas, a peteca, alguns artesanatos e a camisa da selecao brasileira. Ao final, todos foram ver os meus pertences, e fizeram perguntas sobre a procedencia. Apreciaram um pouquinho do nosso Brasil.
Tirei algumas fotos dos presentes, algumas pessoas importantes na minha vida. Nao foi muita gente, mas os que foram estavam la' de coracao. Obrigada pelo apoio.
Espero que surjam outras oportunidades de mostrar mais sobre o Brasil no futuro. Aqui, por vezes, e' dificil porque nao ha' muito interesse. Quando me deram essa oportunidade, eu aceitei de primeira. Nao posso deixar passar uma oportunidade dessa de mostrar um pouquinho do meu pais.
"Deste Brasil que canta e é feliz, Feliz, feliz!"

Tuesday, January 17, 2012

Livro usado: encanto de botequim de esquina

Outro dia fiz uma pergunta no Facebook sobre a preferencia das pessoas com relacao aos livros. Perguntei se preferiam livros novos, usados (sem marcacoes, escritas), ou usados com marcacoes, anotacoes, etc. Achei interessante que ate' agora a maioria respondeu livros usados sem escrita. Nao que haja alguma coisa errada com isso, cada um tem sua preferencia, uai! Mas eu esperava mais pessoas respondessem livros novos. Quem nao gosta de um cheirinho de livro novo? Cheiro de frescor, pureza... as paginas nunca antes defloradas! rs. Livro novo e' bom porque voce bota o nome na contracapa, ou sua etiquetinha com nome e endereco. E' que nem cachorro que ve poste novo na rua e quer marcar o territorio: esse eu vi primeiro e ninguem tasca! Livro novo e' so' gostosura. Primor da juventude!
Consigo entender a escolha dos livros novos e dos livros usados sem marcacoes. Livro novo e' caro (no Brasil e' bem caro!), e livro usado e' mais acessivel `a classe popular (como e' o meu caso). Livro usado vem com umas orelhinhas, ou umas manchinhas numa pagina aqui ou acola', mas de toda forma nao menos importante do que um livro novo. O conteudo e' o mesmo, mas com uma embalagem mais "lapidada".
Eu prefiro o livro usado com anotacoes. Adoro quando vou ao sebo e encontro esse tipo de livro. Logico, eu nao compro qualquer livro so' porque esta' rabiscado ou e' velhinho. Mas quando e' o livro que eu quero e tem um tema interessante que me cativa, eu geralmente compro. Eu adoro abrir as paginas e ver os escritos do dono anterior, ou donos. Eu acho um livro ja' meio "prostituido", mas com muita experiencia de vida! Livro usado com anotacoes e' que nem encanto de botequim de esquina: varias pessoas entram e saem a qualquer hora sem hora marcada nem qualquer etiquette. Livro novo e' que nem restaurante refinado, formal, que voce senta e recebe o menu e segue as regras de etiquette com os talheres, guardanapo. Cheio de cerimonia.
Livro usado com anotacoes supera as orelhadas de pagina: ele contem anotacoes pessoais, frases sublinhadas, desenhos de flores ou carinhas no canto da pagina, pontos de exclamacoes ou interrogacoes. Uns tem ate' marcas de algum molho que caiu na pagina, e alguns tem ate' uma receita de bolo num papelzinho fino, ou o endereco de desconhecido. `As vezes pode-se ate' encontrar um poema, isso e', se voce der uma sorte danada.
Uma vez achei uma folha seca no meio das paginas. Fiquei imaginando quantos anos essa folha teria. De onde ela caiu (ou foi arrancada como lembranca?). Ou se colocaram la' para alguem encontrar, uns 30 anos depois...
De qualquer maneira, todos os livros sao riqueza, sejam eles novos, usados ou "usados e abusados". Ter livro em casa nunca e' demais. Imagina numa era em que vivemos de total informatizacao: o que seria de mim se faltasse luz e eu nao posso ligar meu computador? Um livro e' companhia para toda hora. Quem tem livro (nao so' tem, mas le) nunca se sente solitario. Estou falando de livro bom, nao de qualquer porcaria. Porque tambem como segue o ditado, antes so' que mal acompanhado. Tem que saber escolher a companhia que se quer.
Falando em livros, preciso voltar `a minha vaca fria. Estou num intervalo de uma aula e outra e tenho uma penca de livros para estudar. Alias, esses sao os do cheirinho gostoso. Restaurante finesse.
Boa tarde a todos! :)

Friday, January 13, 2012

Culinaria guerreira!

Hoje e' sexta-feira e o assunto aqui e' culinaria. Como diria o Paulo do Larica Total: e' a culinaria da verdade, culinaria guerreira!
Enquanto escrevo esse texto rapidinho aqui, estou aguardando meu bolinho de salmao cozinhar no forno. Essa receita e' estupidamente facil e gostosa, e nao muito engordiet! :)
Seguinte: pegue uma lata de salmao, escorra todo o liquido e tire os ossinhos, espinhas, peles, etc. Coloque o salmao ja' limpo numa tigela e adicione 2 ovos inteiros e mais 1/4 de xicara de farinha. Pode colocar alho e cebola picados, um pouco de sal e pimenta. Agora maos `a massa, literalmente! Amasse bem. Pense naquele salva vidas gostosao que voce quer apertar, ou aquele vizinho chatonildo que voce e' doido (a) para apertar o pescoco, ou aquela massagem nos pes que voce adoraria ganhar. Muito bem, chega de desvarios. Agora voce ja' deve ter deixado o forno ligado, pra ganhar tempo, e e' so' ir fazendo umas bolinhas, ou em formato de hamburguer (eu gosto mais assim). Pode usar a mao, meninos! Nao tenha medo da comida! "Toca nela!", como diria Paulo do Larica. Ah, sim... e voce como pessoa inteligente deve tambem ter ja' untado a sua forma antes de colocar o produto de sua criacao. Entao agora e' so' colocar no forno por uns 20-30 min. Fogo medio, pra poder cozinhar aquela gororoba la' dentro. Essa receita e' otima, rapidinha, simples, requer poucos ingredientes. Culinaria da verdade, culinaria guerreira! Agora vou la' tirar a minha obra prima do forno, o cheirinho esta'... hummm... Bon appetit!

Saturday, January 7, 2012

Origamusik?

Que palavrao e' esse? Origamusik?
Como eu sou uma pessoa sem muito fru fru, gosto de esclarecer o por que das minhas ideias escalafobeticas, os nomes infimos que me vem a mente ("vem" com circunflexo, desculpe... meu teclado nao fala portugues).  Entao vamos `a vaca fria. Eu admiro a arte do origami, e a musica. Eu coloquei o musik com "k" porque, sinceramente, achei mais metido `a besta. hehe. Agora nao me pergunte qual a pronuncia disso. De^ asas `a imaginacao!
Mas por que decidir juntar origami com musica? Bem, estou tentando desenvolver um projeto de pesquisa na minha faculdade de musica e matematica, conjuntamente, para este meu ultimo ano la'. O origami tem um formato de fractal (como veem na foto do perfil), e eu acho o fractal o "o" do borogodo'. Mas o meu projeto de musica e matematica vem pululando na minha cabeca ja' ha' varios meses, apos estudar dois semestres de algebra ano passado. E quem me conhece sabe do meu passado (e presente!) musical. Essa minha pesquisa seria sobre a relacao entre a proporcao aurea (procurem no google, e' super interessante... tem a ver com fractais) e a musica. Esse trabalho seria para uma materia que se chama Pesquisa Dirigida, e faz parte do programa de honra do qual eu faco parte. Ainda estou em duvida acerca da peca. Cogitei fazer sobre uma das sonatas de Beethoven para piano e cello, mas estou achando muito longa para apresentar. Eu gostaria tambem de tocar para demonstrar. Um dos meus orientadores (no total, sao dois professores orientadores) toca violoncelo, e eu acho que seria o maior barato tocar ao vivo! Esse projeto de pesquisa sera' apresentado la' pra final de novembro na minha faculdade, no congresso dos alunos de honra. Ano passado eu apresentei um projeto sobre a peteca... quem se lembra? rs. Enfim, temos pouco tempo para apresentar... de 15 a 20 minutos, e eu preciso achar uma maneira de condensar um tema colossal e aplicar numa peca musical e ainda tocar um trecho. Pensei, em vez de Beethoven, fazer uma peca do Nikolai Kapustin. E' mais curtinha e muito maneira, cheia de trejeitos e malandragens. Se a coisa for bem preparada, acredito sair um trabalho excelente. Eu gosto muito de pesquisar. E quem sabe esse trabalho nao vire uma futura tese de mestrado?
Por hoje e' so', amigos. Escrevo mais umas linhas amanha. Preciso voltar a preparar meu trabalho sobre o Brasil para o outro clube de que faco parte, o Circulo Internacional. Tem muito material que separei e estou meio perdida ainda nesse universo-origami. rs
Comentem, critiquem, elogiem, joguem tomates podres... a participacao de voces e' sempre bem vinda.
Obrigada e boa noite de sabado! :)