Estou lendo um livro escrito por um antropologo forense americano chamado William R. Maples. O titulo do livro e' "Dead Men Do Tell Tales", mais ou menos traduzido como "Os mortos realmente contam historias". Vamos discutir esse livro assim que voltarmos `a nossa aula de ingles na faculdade. Esse livro tem me proporcionado emocoes variadas, e de uma forma mudado minha perspectiva sobre a vida... e tambem a morte.
Sendo um livro nao ficticio, trata-se de uma narrativa baseada em fatos reais, experiencias de um renomado antropologo forense, Dr. William Maples, em seu trabalho e, digamos, arte de estudar ossadas humanas e tentar descobrir a causa mortis. O livro comeca narrando os primordios da origem do autor, do interesse despertado por essa ciencia, e varias experiencias em lugares variados, entre eles o Quenia. O autor passou diversos anos no Quenia estudando os babuinos, e relata acontecimentos engracados e curiosos desse lugar. Apos alguns anos de experiencia, ele decide voltar para os EUA e retomar seus estudos na area da antropologia forense e conseguir um espaco na universidade como professor e tambem pesquisador.
Esse livro nao e' para qualquer um. Digo isso porque o autor nao mede esforcos em descrever com detalhes minuciosos certas situacoes e condicoes em que se encontram os mortos. Cada capitulo trata de um aspecto diferente sobre a morte, e realmente nao recomendo para os mais fracos de coracao (e estomago). Tendo estudado muitos anos de ingles e literatura, o autor manipula a lingua com tamanha destreza e realismo que o leitor se sente parte de cada situacao narrada. Lembro-me que nossa professora de ingles avisou: nao leiam esse livro enquanto comem ou apos comer. Ela estava certa.
Cada um esta' responsavel por ler e apresentar um capitulo do livro. Eu escolhi o capitulo sobre suicidio, porque achei mais "suave". Isso nao e' piada, e' serio. Os outros capitulos sao muito piores em termos de peculiaridades, descricoes minuciosas do estado em que os cadaveres se encontram, portanto achei menos chocante esse capitulo sobre suicidio. Os outros capitulos tratam de assassinato, violencia/abuso de criancas, desmembramentos, e outras coisas nao menos desagradaveis. No entanto, decidi ler o livro inteiro, e nao so' o meu capitulo, porque eu quero ter uma ideia geral do livro. Quem esta' na chuva e' para se molhar.
Pretendo terminar a leitura do livro hoje. Creio que me faltam umas 70 paginas. Sendo um livro denso e bastante chocante, por vezes tive que parar para espairecer, respirar fundo e seguir adiante. Eu nao gosto do assunto morte, e confesso: tenho hojeriza a ela. Eu me sinto muito tocada com cada vitima que o autor relata, o estado em que se encontra, e fico pensando se essas pessoas sofreram muito antes de morrer, ou se deixaram familiares ou amigos queridos sofrendo com sua morte. Ou quica' ninguem sofreu, nem tomou conhecimento dessa pobre alma.
Como falei no inicio desse texto, o autor se concentra no estudo das ossadas humanas. Ele relata casos que nunca haviam sido solucionados, por falta da tecnologia e da existencia da propria ciencia da antrolopologia forense muitos anos atras. Antigamente nao existia esse ramo cientifico, e os instrumentos eram precarios. Os anatomistas estudavam os cadaveres e ossos, mas com bastante limitacao devido `a essa falta de tecnologia. Hoje em dia pode-se descobrir a causa, a data, o jeito, o motivo e muitas outras coisas atraves da analise de pedacinhos minusculos de ossos. Alguns dos casos relatados no livro eram praticamente impossiveis de se solucionar, porem o Dr. Maples conseguiu descobrir todos os detalhes a respeito. Impressionante como a ciencia tem evoluido, para o bem de nossa sociedade.
`A medida que vou avancando em minha leitura, vou aprendendo a engolir a humanidade e suas crueldades um pouco mais. Nao aceito qualquer tipo de maldade, mas vou me "desensibilizando" um pouco das situacoes chocantes. Vou aprendendo a dar valor `a vida, o respeito ao proximo, e sobretudo apreciando o valor que cada um de nos tem nesse mundo. Fico com pena daqueles que sofrem mortes violentas, absurdas, e que somem do mapa, e de suas familias que ficam sem resposta e sem uma conclusao dessa cruel situacao.
Agora conheco um pouco mais sobre essa especialidade da antropologia forense. Nao sabia que tantas coisas ficam "gravadas" nos ossos. As pessoas `as vezes pensam que algo nunca sera' descoberto, mas os ossos contam marcas que nao enganam. Os tecidos, musculos, orgaos se desfazem com o tempo, mas os ossos demoram centenas de anos para se decomporem. Eles realmente contam historias de seus mortos. E como contam.
Saturday, March 17, 2012
Monday, March 12, 2012
Levanta e sacode a poeira
Ouvi um comentario outro dia de que toda mulher sempre quer perder peso. Meio, um, dois, tres e 1/4, 4.9999 quilinhos. Quem e' mulher e nunca entrou nessa neurose?
Pois. Estou nessa neurose ha' alguns anos. So' que meu caso e' bem mais grave do que se imagina. Preciso perder 30kg. Nao e' por vaidade, mas por necessidade de saude mesmo. De acordo com a classificacao medica, estou obesa morbida. Isso soa mais como uma sentenca de morte. E olha que nao sou re' primaria. Decisao unanime pelos jurados. Oh dia, oh ceus.
Sou comedora compulsiva. Supostamente, eu ja' deveria ter atingido pelo menos metade da minha meta neste momento. Em agosto comecei nos Vigilantes do Peso. Cheguei a frequentar algumas reunioes. So' que meu dinheiro encurtou, e tive de seguir o plano online. Tudo maravilhoso nas primeiras semanas. Cheguei a perder 8 kg. Meus joelhos melhoraram 70% na escala de dor. Dormia bem melhor, acordava renovada, sonhava com poneis rosas e flores campestres. Diante desse progresso, o que aconteceu?
O que aconteceu foi que eu parei de contar os pontos no site dos Vigilantes. Parte do motivo foi preguica, admito. E tambem outra parte falta de tempo. E outra parte, por putice com a vida.
Ficava vendo outras pessoas indo comer sem ter que contar ponto, sem ficar com muita restricao, pessoas magras, sorridentes, de bem com a vida. Por que eles podem e eu nao?
Muito bem. Um pouco de altivez de minha parte, eu diria. Um pouco nao, bastante. Totalmente. Achando que macaco pode se controlar diante de um cacho reluzente de banana. Ledo engano. Escorreguei na minha propria casca de banana e dei com a buzanfa no chao.
Na fartura e na bastanca encontro-me aqui na estaca (quase) zero. Quase com o mesmo peso que comecei nos Vigilantes. Imaginou a infinidade de palavroes chulos que passam pela minha cabeca nesse momento? Fica a criterio da imaginacao de voces. No entanto, tenho mais vergonha do meu relaxamento com minha dieta do que desses palavroes que permeiam a minha mente nada sagrada ou magra.
Domingo que passou foi o dia. Reality check bonito. Tive que me chamar na chincha. Nao estava dando mais conta da minha propria rebeldia. Rostinho colado com a realidade, ali, olho no olho, subindo na balanca. Abrindo os olhinhos e me deparando com os numeros aterrorizantes. Parabens pelo resultado. Ai jizuix, que fazer diante desse suplicio?
Primeiro lugar, voltei a abrir o site dos Vigilantes. Que vexame: tinha ate' esquecido o meu nome de usuario e senha. Que desleixe. Tiro certeiro no meu proprio pe'. Nos dois, alias. E, vou lhes contar, que mira. Enfim, vamos adiante, coragem. Resolvi apagar a tabela do peso ate' entao, porque nao ia me adiantar nada ver que tinha engordado exponencialmente nesses ultimos meses catacumbicos. Fiquei com vergonha, nao dos outros que me veem, mas de mim. Meu Deus, onde fui parar? Fiz que nem o Zeca Pagodinho... deixei a vida me levar. Fui `a deriva bonito.
Mas como todo poco tem um fim, cheguei finalmente nele mas ja' estou subindo de volta `a tona. Nao e' facil, minha gente. E' muuuuito dificil, muito mesmo. Depois de ter me reacostumado a comer desenfreadamente todo tipo de besteira, e' muito dificil domar esse animal rosnante dentro de mim, especialmente nas loucas horas da madrugada, ou no meio da tarde. Putz, que fome do caramba. Larica da boa. Mesmo.
O cerebro e' uma criatura pidona. Mimada que so'. Ele e' bem traira tambem. Ele te diz que e' fome, mas na verdade e' sede. Ou cansaco. Ou mau humor. Ou desamor. Ou... qualquer outro sentimento que ele queira te dizer. Voce e' mais malandro que ele, e voce tem o poder de dizer: nao.
Eu quero ter esse poder de volta. Eu quero retomar controle da minha neurose com comida. Comer compulsivamente e' uma doenca, que nem o alcoolismo, o cigarro, drogas... comer compulsivamente desequilibra todo o sistema cerebral, a acao de hormonios, neurotransmissores, etc. E' uma luta, no sentido mais literal da palavra.
Sabe, fico pensando no meu progresso daquela epoca, em aureos tempos em que eu estava levando a serio meu emagrecimento. Depois de umas semanas, ja' estava me acostumando a comer menos. Porque nos Vigilantes voce nao se priva de nada, mas voce aprende a domar a fera ferida, a vontade de comer a comida e o prato com talher tudo junto. O controle das porcoes. Eureka.
Eu tenho uma crianca muito mimada dentro de mim, sabe. Ela nao pode ter tudo o que quer na hora que quer. E' esse o grande desafio pra mim. Sempre sera' um quesito na minha vida que exigira' constante vigilancia. Ad aeternum.
Portanto, voltei `as minhas atividades fisicas religiosamente. Nos dias que nao posso ir `a academia eu faco esteira em casa. E passeio com os cachorros. Qualquer atividade e' lucro. Mas a atividade fisica pra mim nao e' um grande desafio, porque eu ja' fui atleta muitos anos... em natacao. Atividade fisica me da' barato bom. E me distrai da cozinha. E' um atalho para minha saude.
Outro negocio e' entender que fazer muito exercicio nao justifica comer demais. O figado converte o excesso de carboidrato em tecido adiposo porque nao tem o que fazer com tanto acucar no corpo. E as gorduras se acumulam em forma de triglicerides, que em altos niveis nao fazem nada bem para a saude arterial e coronariana. Caraca, e quando bate aquele medo de ficar diabetica?
Minha gente: e' tempo de agir. Decidi agir em prol de moi-zita aqui. So' eu posso sair do fundo desse poco. Com minhas proprias forcas e muito afinco.
E' essa a minha mensagem para o dia de hoje. Se voce tambem esta' nessa longa e ardua jornada de perda de peso ou qualquer outra que exija toda a sua paciencia e dedicacao, escreva para mim. Conte-me sua experiencia, seus tropecos, quedas, tiros no pe', mas tambem suas conquistas.
A hora e' agora. Vamos mudar o que nos segura pra tras e o que nos impede de andar adiante na saude, fisica, emocional e espiritual. A batalha e' ardua mas vale a pena. Levanta e sacode a poeira, e vamos juntos nessa jornada!
Pois. Estou nessa neurose ha' alguns anos. So' que meu caso e' bem mais grave do que se imagina. Preciso perder 30kg. Nao e' por vaidade, mas por necessidade de saude mesmo. De acordo com a classificacao medica, estou obesa morbida. Isso soa mais como uma sentenca de morte. E olha que nao sou re' primaria. Decisao unanime pelos jurados. Oh dia, oh ceus.
Sou comedora compulsiva. Supostamente, eu ja' deveria ter atingido pelo menos metade da minha meta neste momento. Em agosto comecei nos Vigilantes do Peso. Cheguei a frequentar algumas reunioes. So' que meu dinheiro encurtou, e tive de seguir o plano online. Tudo maravilhoso nas primeiras semanas. Cheguei a perder 8 kg. Meus joelhos melhoraram 70% na escala de dor. Dormia bem melhor, acordava renovada, sonhava com poneis rosas e flores campestres. Diante desse progresso, o que aconteceu?
O que aconteceu foi que eu parei de contar os pontos no site dos Vigilantes. Parte do motivo foi preguica, admito. E tambem outra parte falta de tempo. E outra parte, por putice com a vida.
Ficava vendo outras pessoas indo comer sem ter que contar ponto, sem ficar com muita restricao, pessoas magras, sorridentes, de bem com a vida. Por que eles podem e eu nao?
Muito bem. Um pouco de altivez de minha parte, eu diria. Um pouco nao, bastante. Totalmente. Achando que macaco pode se controlar diante de um cacho reluzente de banana. Ledo engano. Escorreguei na minha propria casca de banana e dei com a buzanfa no chao.
Na fartura e na bastanca encontro-me aqui na estaca (quase) zero. Quase com o mesmo peso que comecei nos Vigilantes. Imaginou a infinidade de palavroes chulos que passam pela minha cabeca nesse momento? Fica a criterio da imaginacao de voces. No entanto, tenho mais vergonha do meu relaxamento com minha dieta do que desses palavroes que permeiam a minha mente nada sagrada ou magra.
Domingo que passou foi o dia. Reality check bonito. Tive que me chamar na chincha. Nao estava dando mais conta da minha propria rebeldia. Rostinho colado com a realidade, ali, olho no olho, subindo na balanca. Abrindo os olhinhos e me deparando com os numeros aterrorizantes. Parabens pelo resultado. Ai jizuix, que fazer diante desse suplicio?
Primeiro lugar, voltei a abrir o site dos Vigilantes. Que vexame: tinha ate' esquecido o meu nome de usuario e senha. Que desleixe. Tiro certeiro no meu proprio pe'. Nos dois, alias. E, vou lhes contar, que mira. Enfim, vamos adiante, coragem. Resolvi apagar a tabela do peso ate' entao, porque nao ia me adiantar nada ver que tinha engordado exponencialmente nesses ultimos meses catacumbicos. Fiquei com vergonha, nao dos outros que me veem, mas de mim. Meu Deus, onde fui parar? Fiz que nem o Zeca Pagodinho... deixei a vida me levar. Fui `a deriva bonito.
Mas como todo poco tem um fim, cheguei finalmente nele mas ja' estou subindo de volta `a tona. Nao e' facil, minha gente. E' muuuuito dificil, muito mesmo. Depois de ter me reacostumado a comer desenfreadamente todo tipo de besteira, e' muito dificil domar esse animal rosnante dentro de mim, especialmente nas loucas horas da madrugada, ou no meio da tarde. Putz, que fome do caramba. Larica da boa. Mesmo.
O cerebro e' uma criatura pidona. Mimada que so'. Ele e' bem traira tambem. Ele te diz que e' fome, mas na verdade e' sede. Ou cansaco. Ou mau humor. Ou desamor. Ou... qualquer outro sentimento que ele queira te dizer. Voce e' mais malandro que ele, e voce tem o poder de dizer: nao.
Eu quero ter esse poder de volta. Eu quero retomar controle da minha neurose com comida. Comer compulsivamente e' uma doenca, que nem o alcoolismo, o cigarro, drogas... comer compulsivamente desequilibra todo o sistema cerebral, a acao de hormonios, neurotransmissores, etc. E' uma luta, no sentido mais literal da palavra.
Sabe, fico pensando no meu progresso daquela epoca, em aureos tempos em que eu estava levando a serio meu emagrecimento. Depois de umas semanas, ja' estava me acostumando a comer menos. Porque nos Vigilantes voce nao se priva de nada, mas voce aprende a domar a fera ferida, a vontade de comer a comida e o prato com talher tudo junto. O controle das porcoes. Eureka.
Eu tenho uma crianca muito mimada dentro de mim, sabe. Ela nao pode ter tudo o que quer na hora que quer. E' esse o grande desafio pra mim. Sempre sera' um quesito na minha vida que exigira' constante vigilancia. Ad aeternum.
Portanto, voltei `as minhas atividades fisicas religiosamente. Nos dias que nao posso ir `a academia eu faco esteira em casa. E passeio com os cachorros. Qualquer atividade e' lucro. Mas a atividade fisica pra mim nao e' um grande desafio, porque eu ja' fui atleta muitos anos... em natacao. Atividade fisica me da' barato bom. E me distrai da cozinha. E' um atalho para minha saude.
Outro negocio e' entender que fazer muito exercicio nao justifica comer demais. O figado converte o excesso de carboidrato em tecido adiposo porque nao tem o que fazer com tanto acucar no corpo. E as gorduras se acumulam em forma de triglicerides, que em altos niveis nao fazem nada bem para a saude arterial e coronariana. Caraca, e quando bate aquele medo de ficar diabetica?
Minha gente: e' tempo de agir. Decidi agir em prol de moi-zita aqui. So' eu posso sair do fundo desse poco. Com minhas proprias forcas e muito afinco.
E' essa a minha mensagem para o dia de hoje. Se voce tambem esta' nessa longa e ardua jornada de perda de peso ou qualquer outra que exija toda a sua paciencia e dedicacao, escreva para mim. Conte-me sua experiencia, seus tropecos, quedas, tiros no pe', mas tambem suas conquistas.
A hora e' agora. Vamos mudar o que nos segura pra tras e o que nos impede de andar adiante na saude, fisica, emocional e espiritual. A batalha e' ardua mas vale a pena. Levanta e sacode a poeira, e vamos juntos nessa jornada!
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